Gastrite - A Revolta do Estômago PDF Imprimir E-mail
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17 de April de 2007

Fonte: Revista ABCFARMA Ano 10 - 126 - volume II
Existe muita confusão, tanto entre médicos quanto entre pacientes, em relação ao termo gastrite. Etimologi­camente, gastrite significa “inflamação do estômago”. Entretanto, o termo muitas vezes é usado como referência para definir uma simples indisposição estomacal – que a rigor deveria ser chamada de dispepsia.

Na verdade, a gastrite é uma doença específica – e merece tratamento especializado, para não evoluir. Felizmente, a farmacologia brasileira já conta com inúmeros medicamentos que controlam muito bem essa revolta do estômago contra o stress, a má alimentação e uma bactéria (imagens acima e abaixo) que tem predileção pela mucosa gástrica.
Segundo os especialistas, as gastrites podem ser classificadas em dois grandes grupos: erosiva ou hemorrágica e não erosiva. Erosão, nesse caso, é uma ulceração rasa, que não ultrapassa a camada muscular da mucosa, semelhantemente a uma afta. Este tipo de gastrite ocorre em pacientes internados em CTI, sendo também chamada lesão de stress. Ocorre também em pacientes que estão usando antinfla­matórios, quando são chamadas também de gastropatia hemor­rágica. Entre as gastrites não-erosivas, que são crônicas, a mais comum está associado a uma bactéria chamada Helicobacter pylori – aliás, o mesmo agente que está por trás das úlceras. Atualmente a biópsia gástrica é realizada de rotina na grande maioria dos serviços de endoscopia para pesquisar a presença dessa bactéria, descoberta em 1987 e hoje responsabilizada pelas gastrite e úlceras.

A GASTRITE ESPECÍFICA
Mas há um outro tipo de gastrite, a específica, que costuma ser associada a hábitos de vida – talvez seja essa a forma mais comum da doença, aquela relacionada com um desequilíbrio da acidez estomacal. A inflamação da mucosa gástrica, nesse caso, pode ser manifestada por náuseas, vômito, hemorragia, dor, mal estar. Crises ocorrem muito freqüentemente após ingestão de alimentos específicos para os quais o indivíduo já tem sensibilidade aumentada, comer muito rapidamente, comer após emoções fortes, ou quando o indivíduo se encontra muito cansado. Excesso de álcool, tabaco ou alimentos muito condimentados podem ser fatores desencadeantes de crises de gastrite.

Segue abaixo uma orientação dietética:

Alimentos proibidos:
- Alimentos gordurosos e frituras em geral
- Frutas ácidas (laranja, abacaxi, limão, morango, damasco, pêssego, cereja, kiwi)
- Temperos (vinagre, pimenta, molho inglês, massa de tomate, molhos industrializados, katchup, mostarda, caldos concentrados, molho tártaro), picles
- Doces concentrados (goiabada, marmelada, doce de leite, cocada, pé-de-moleque, geleia, compotas)
- Frutas secas e cristalizadas
- Frutas oleaginosas (nozes, avelã, coco, amêndoa, castanha de caju e do pará, amendoim, pistache)
- Feijão e outras leguminosas
- Pepino, tomate, couve, couve-flor, brócolis, repolho, pimentão, nabo, rabanete
- Café, chá preto, mate e chocolate
- Lingüiça, salsicha , patês, mortadela, presunto, bacon, carne de porco, carnes gordas, alimentos enlatados e em conserva

Recomendação importante:
- Não ficar por mais de 3 horas sem se alimentar
Além desses cuidados alimentares, geralmente utilizam-se antisecretores tanto na prevenção como no tratamento das lesões

UMA BACTÉRIA MUITO POPULAR
A grande vedete da gas­troenterologia contemporânea é o Helicobacter pylori. A descoberta desta bactéria, que hoje é tida como o agente da mais frequente infecção humana, há apenas 15 anos (1983), revolucionou o entendimento de algumas gastrites, úlceras pépticas gastricas e duodenais. Por causa do grande número de pacientes que são portadores da infecção, e também do grande número de trabalhos científicos que estabelecem novas conotações para a infecção, cresce significativamente a pressão para os médicos tratarem todos os pacientes. Mas, a fim de não estimular o surgimento de cepas resistentes das bactérias com um tratamento indiscriminado, a terapia com antibióticos deve ser bastante criteriosa, segundo critérios de bom senso. A infecção pelo H. pylori é universal, mas predomina nos países em desenvolvimento, onde metade da população é infectada até os 10 anos de idade. A bactéria não tem reservatórios na natureza, portanto a transmissão se dá entre as pessoas, através de contato direto ou contaminação de água. A taxa de infecção tem uma grande correlação direta com baixos índices sócio-econômicos.

Qual seria a relação entre gastrite e úlcera? Segundo o gas­troen­terologista Wilson Polara, a gastrite pode predominar no corpo ou no antro gástrico ou ainda atingir todo o órgão – no caso, uma pangastrite. Naqueles de predomínio no antro, há tendência de haver secreção ácida normal ou aumentada e maior chance de úlcera duodenal; enquanto nos pacientes em que a gastrite predomina no corpo do estômago há tendência de desenvolvimento de gastrite atrófica, úlcera gástrica e câncer.

Tratamento
A meta do tratamento é a erradicação do microrganismo, que é definida como a negativação dos exames quatro semanas após o fim do uso de antimicrobianos O tratamento é difícil porque o habitat da bactéria é como o recheio de um sanduiche entre as células superficiais da mucosa e a camada de muco que reveste internamente o estômago.

Fica assim protegido do contato direto do antibiótico ingerido e ao mesmo tempo, do que chega pela corrente sanguínea. Segundo Polara, não existe uma droga que, sozinha, consiga um resultado satisfatório. Atinge-se índices de erradicação entre 70% e 95% com diversas combinações de três ou mais drogas. Há consenso internacional quanto à necessidade de erradicar o H pylori quando ele coexiste com doença ulcerosa, mas em relação a outras situações clínicas a controvérsia parece longe de acabar.

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